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Novos e velhos desafios para o setor primário

20/12/2017

Por José Zeferino Pedrozo, Presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de SC (Faesc) e do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar/SC).


O último triênio foi de dificuldades para a economia brasileira. O desemprego explodiu, o consumo despencou e os investimentos escassearam. Um dos poucos segmentos que resistiu foi o setor primário. O setor agropecuário continuou produzindo, alimentando a agroindústria e sustentando a exportação.

Com essa leitura do momento brasileiro assumimos neste mês em Brasília, o cargo de primeiro vice-presidente de finanças da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), a maior e mais importante entidade de representação e defesa da agricultura brasileira, ao lado do presidente reeleito João Martins.

A agropecuária brasileira foi, em 2017, mais uma vez, a locomotiva do desenvolvimento da economia nacional. Gerou um saldo positivo de 93 mil novas vagas no campo. Produziu alimentos abundantes e acessíveis – só grãos foram 238 milhões de toneladas – que impactaram diretamente na queda da inflação. O IPCA deste ano deve ficar em 3,03%, o mais baixo desde 1998. Nesse período, o agro respondeu por 45% das exportações brasileiras e representou uma fatia de 23,5% do PIB nacional. Em 2018, o agronegócio dará uma contribuição ainda maior e responderá por 50% das exportações do País.

Agricultura forte, avançada, competitiva e sustentável significa segurança alimentar, menos inflação, custo de vida mais leve e qualidade de vida mais alta. Esse imenso e inquestionável efeito social e econômico proporcionado pela agricultura e pecuária justifica toda atenção e prioridade que os agentes econômicos – entre eles, produtores rurais e agroindústrias – reivindicam.

A CNA fará a defesa técnica e política da agricultura nacional, com olhar acurado sobre todas as cadeias produtivas. Insistirá no aperfeiçoamento dos planos-safra para que os recursos destinados ao financiamento da produção e aos investimentos estejam assegurados e disponíveis no momento certo. Continuará propugnando pela contínua melhoria do sistema de controle sanitário. Priorizará os investimentos em formação profissional rural através do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar), qualificando cada produtor como empresário rural.

As variáveis “fora da porteira”, que fogem ao poder de controle e gestão do empresário rural, tornaram-se os grandes óbices dos brasileiros na disputa do mercado mundial. As péssimas condições das rodovias, a falta de ferrovias interligando regiões produtoras com portos e centros urbanos, a situação dos portos marítimos, as telecomunicações, a escassez de armazéns – compõem um conjunto de deficiências logísticas e infraestruturais que encarecem as operações exportacionistas.

Depois da segunda Grande Guerra, as nações mais evoluídas decidiram priorizar e proteger a agricultura para jamais voltar a sofrer com o flagelo da fome. Com inquestionável vocação para se tornar um dos maiores produtores de alimentos do mundo, o Brasil ainda padece de uma política de Estado ampla e integral de apoio ao setor. A carga tributária é elevada, a legislação é complexa, incoerente e burocrática. Teremos, na CNA, muito trabalho pela frente.






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