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15 anos sem Aury Bodanese

29/01/2018

Por Marcos A. Bedin, jornalista, diretor da MB Comunicação e diretor regional da Associação Catarinense de Imprensa (ACI).


Gestos largos e francos, compleição avantajada, raciocínio rápido. Odiava os prolixos e os burocratas; admirava a objetividade e a precisão. Aury Luiz Bodanese desapareceu há 15 anos do cenário cooperativista de Santa Catarina e do Brasil, mas ainda é possível vê-lo em cada assembleia geral, em cada encontro de lideranças, em cada empreendimento anunciado, em cada obra inaugurada. Seu nome é cultuado a cada tijolo assentado nas fábricas que as cooperativas erigem.

O trabalho foi o valor supremo nas várias fases da vida desse agricultor, comerciante, transportador e, finalmente, cooperativista. Nasceu no ano de 1934 em  Barão de Cotegipe, em terras sul-rio-grandenses, quinto filho entre oito irmãos. Encerrou precocemente os estudos formais aos doze anos. Aos treze anos, quando viajava era uma aventura e as estradas não passavam de trilhas, pilotava um caminhão Ford 1946 para levar produtos agrícolas de Erval Grande a Porto Alegre em epopéicas viagens que duravam até oito dias. Na década de 1950 mudou-se para Alto da Serra, interior de Chapecó e começou a fazer a não menos heróica rota Chapecó – São Paulo – Rio de Janeiro.

Somente quando casou com dona Zelinda Santa Catarina (com quem teve quatro filhos) parou com as viagens. Em 1967 ingressou no cooperativismo onde permaneceu 35 anos. Esse período foi fecundo de mudanças, transformações, evolução e crescimento que marcaram para sempre a história do cooperativismo brasileiro. Fundou e presidiu, em 1967, a Cooperchapecó, hoje Cooperalfa, e, em 1969, a Coopercentral Aurora. Esses dois colossos empresariais representam a face mais visível de sua obra e exteriorizam a visão que guiava sua atuação: as cooperativas agropecuárias precisavam superar a condição de simples fornecedoras de matérias-primas e passar, elas próprias, a industrializar a produção para agregar valor ao produto e, assim, proporcionar melhor remuneração aos cooperados.

São dois exemplos paradigmáticos. A Cooperalfa (3.126 funcionários, 18.755 associados e R$ 2,7 bilhões de receita) tornou-se a maior cooperativa singular de Santa Catarina e, a Coopercentral Aurora (27.848 funcionários e R$ 8,9 bilhões de receita), transformou-se na segunda maior cooperativa central do País.

Mais ampla e transcendental, a obra imaterial de Aury Bodanese influenciou toda uma geração de lideranças cooperativistas. Ele pregou o fim da fase romântica de um cooperativismo com viés social e vocação assistencialista para um cooperativismo forjado na eficiência gerencial, balizado na visão empresarial e viabilizado na capacidade de competir e de gerar resultados. Bodanese fundou e dirigiu todas as organizações cooperativistas existentes em Santa Catarina e no comando de cada uma delas transmitiu insistentemente esses fundamentos que foram, paulatinamente, assimilados pelos outros ramos do cooperativismo.

As ideias de Bodanese precederam as conclusões de seminários nacionais do sistema que definiu o cooperativismo como área da economia social, aquela que protagoniza ações integradas por organizações voltadas às pessoas, fundamentadas no conjunto de princípios e valores do cooperativismo, para satisfação dos seus associados e o bem-estar da comunidade, promovendo o equilíbrio entre eficiência econômica e eficácia social, e entre independência individual e interdependência coletiva, além de gerar desenvolvimento e equitativa distribuição de renda.

Bodanese superou a pouca escolaridade com uma insaciável sede de saber. Viajava a todos os continentes, conhecia todas as experiências. Seu estilo de liderança era inconfundível célere e, muitas vezes, atropelava os ritos consultivos do associativismo. Levava a sério o preceito “administrar é tomar decisões”. Tinha uma extraordinária capacidade de analisar as possibilidades, mensurar riscos, identificar oportunidades e decidir.

Sucessivos golpes do destino foram tolhendo seu vigor físico. Em 1995, um derrame provocou paralisia parcial, mas a dificuldade dos movimentos pouco alterou sua rotina de trabalho. O estado de saúde, entretanto,  foi se agravado com falência renal crônica e diabetes. Sessões de hemodiálise se incorporaram a sua rotina.

A mão do imponderável parecia querer testá-lo às últimas consequências sua capacidade de resistir ao sofrimento. A condição de diabético evoluiu para vasculopatia periférica, doença que exigiu amputação dos membros inferiores. Tornou-se doloroso para familiares e amigos mais íntimos ver aquele gigante agonizar, sem jamais emitir uma queixa, uma reclamação. Parecia saber que tudo era passageiro, que as privações finais tinham um significado, que o derradeiro e decisivo ritual de passagem se aproximava, silente, lânguido e inexorável.

As sucessivas complicações resultaram em infecção generalizada (septicemia) e falência múltipla de órgãos, declaradas como as causas finais de sua morte, às 7 horas da manhã do dia 30 de janeiro de 2003.  Aury Luiz Bodanese, o capitão do cooperativismo, deixou saudades, mas também deixou como exemplos uma vida de dedicação aos mais caros princípios de uma doutrina universal capaz de aproximar os homens, reduzir as desigualdades e exercitar a fraternidade.






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