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O legado de Milton Sander

02/01/2019

Por Marcos A. Bedin, jornalista, diretor da MB Comunicação e diretor regional do Oeste da Associação Catarinense de Imprensa/Casa do Jornalista.


De advogado, prefeito, deputado estadual e secretário de Estado de Articulação Nacional em Brasília, a missão que consagrou Milton Sander – falecido nesta semana aos 75 anos de idade –  foi sua exitosa passagem pela administração do maior município do oeste catarinense por duas gestões não-consecutivas (1977-1983 e 1989-1993).

Na primeira experiência, o jovem prefeito criou uma linha direta de relacionamento com o governo federal para obter recursos que financiassem obras públicas. O País vivia um regime de centralização de recursos no governo central  muito maior que hoje. Viagens frequentes a Brasília e uma articulação sem precedentes para um jovem prefeito permitiram viabilizar muitos projetos. Depois da capital, Chapecó era a cidade mais visitada pelas autoridades da República. O influente Ministro do Interior da época, coronel Mário Andreazza, aterrissou várias vezes o município para acompanhar a execução das obras.

Nas duas gestões, Milton priorizou a infraestruturação da cidade e obteve a aprovação do BNDES para implementar o arrojado Projeto Cura (Comunidade Urbana em Recuperação Acelerada), que permitiu levar aos bairros melhorias como drenagem, saneamento e pavimentação. Asfaltamento era a maior reivindicação da população, o que levou Sander, estimulado pelo seu vice-prefeito e engenheiro Ivan Bertaso, a criar uma Usina de Asfalto própria. Isso possibilitou pavimentar centenas de vias públicas. No segundo mandato, Sander teve como vice o administrador Dilso Ceccin.

Importantes obras marcaram suas administrações, como a construção do Aeroporto Serafim Enoss Bertaso, o Estádio Regional Índio Condá (atual Arena Condá), o terminal rodoviário intermunicipal de passageiros e o Hospital Regional do Oeste (obra estadual com financiamento internacional), entre outros. Atendeu o setor rural com a criação de pioneiros programas e apoio fortemente à produção agrícola e pecuária com a criação de uma patrulha mecanizada para a manutenção do sistema viário.

Estabeleceu em lei uma política municipal de estímulo ao desenvolvimento econômico e a expansão empresarial, atraindo muitos empreendedores e empreendimentos. Em reconhecimento, instituiu o troféu O Desbravador para homenagear as empresas de pequeno, médio e grande porte que maior contribuição dão ao Município, com base na geração tributária, iniciativa copiada por muitos municípios.

Na área cultural foi um verdadeiro mecenas com contínuo apoio à classe artística local. Criou a Escola de Artes de Chapecó, um paradigma nacional de excelência, e o Museu Municipal Antônio Selistre de Campos. Estabeleceu eventos memoráveis que tornaram o município um centro cultural, como o Salão Chapecoense de Artes Plásticas de Santa Catarina (SCAPSC) que reunia, na capital do oeste, a elite dos pintores, escultores e gravuristas catarinenses e, também, a Global de Artes dedicada aos artistas locais. Apoiou o surgimento do Grupo Chap. Atendendo sugestão do Lions Club, construiu o monumento O Desbravador para homenagear os pioneiros, entregando a obra ao escultor gaúcho Paulo De Siqueira que escolheu Chapecó para morar.

Foi líder e defensor do municipalismo brasileiro. Fundou e foi o primeiro presidente da Federação Catarinense de Associações de Municípios (Fecam), atualmente Federação Catarinense de Municípios. No plano federal, presidiu a Confederação Nacional dos Municípios (CNM) e, depois, a Federação Latino-americana de Cidades, Municípios e Associações de Governos Locais (Flacma).

Milton Sander estimulou o surgimento de novas lideranças para a renovação da política, dando espaço na administração pública para jovens talentos. Exemplos são Hugo Biehl que depois conquistou cinco mandatos na Assembleia Legislativa e na Câmara Federal; Dilso Cecchin, que foi seu vice-prefeito, secretário de Estado da Agricultura e prefeito; Márcio Sander, vereador, presidente da Câmara Municipal e secretário municipal de desenvolvimento econômico; José Cláudio Caramori, secretário municipal, vice-prefeito e prefeito, entre outros...

Compreendia o papel da comunicação social na gestão pública. Por isso, manteve sempre um relacionamento ético, transparente e respeitável com os meios de comunicação e os jornalistas. Demonstrava uma resiliência incomum e uma tolerância exemplar com o papel da imprensa. Nas duas gestões de Sander, Chapecó teve uma extraordinária presença na mídia catarinense e brasileira. Essa valorização dos meios influenciou a expansão empresarial do setor: sob o governo de Sander surgiram o primeiro jornal diário do grande oeste (Diário da Manhã) e a primeira emissora de televisão (TV Cultura de Chapecó S/A, hoje NSC TV). Chapecó tornou-se o segundo polo de comunicação de Santa Catarina – status que goza até hoje.

Além do arrojo e da capacidade de olhar o horizonte com uma aguçada cosmovisão, o prefeito Milton Sander tinha uma característica inconfundível: seu permanente otimismo e sua fé no futuro. Mesmo nas situações mais difíceis, nunca se queixava, nunca desanimava. Era um otimista inveterado. Trocou uma promissora carreira de advogado (na época atuavam poucos profissionais do Direito) para dedicar-se à política. Não fez fortuna, mas fez história.







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